O Senhor é bom para todos, e suas misericórdias são sobre todas as suas obras. (Salmo 145:9)
Algo que demorei a entender foi a justiça que existe no conceito de inferno (lugar destinado ao suplício das almas dos condenados e onde habitam os demônios). Afinal, como o Deus do Amor poderia rejeitar suas criaturas, inflingindo um tormento eterno? Qual a validade de uma pena que não visa a correção, mas apenas um castigo (sem possibilidade de recuperação)? Lembro do filósofo francês, renascentista, que disse não crer em um Pai que repele pigmeus por não terem dado passos de gigantes...
Preliminarmente, para solução – ainda que precária, pois jamais teremos todas as respostas (por isso também existe a fé) – de um impasse bíblico, mister nos fulcrarmos neste princípio basilar : Deus é santo, piedoso e movido por amor, sua vontade é boa, agradável e perfeita. Por conseguinte, como ponderarmos essa aparente incongruência?
Pois bem, considero como boa referência a ideia de que os portões do inferno são fechados pelo lado de dentro. Ou seja, assim como "(...)venha a nós o Vosso reino" anuncia a extensão do Bem que se recepciona (um lugar a partir de um estado de espírito), também as trevas são corolário do que se escolheu em vida. Nosso paradeiro pos mortem não poderia ser muito diferente de nossas idiossincrasias.
Portanto, nessa exegese, as almas não são condenadas. Elas se condenam.
Além disso, a salvação – o convite de Jesus Cristo para a morada celestial, a despeito de não merecermos – de pessoas que não foram convertidas pode acontecer. Contudo, tal possibilidade permanece no campo dos mistérios de Deus. Pois nem sempre alguém não crente seja um descrente (profundamente, espero que isso não seja mero jogo de palavras).
Texto dedicado in memorian a W. Bitencourt
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