Hoje tivemos mais um edificante estudo bíblico, no encontro matinal de domingo. Continuando análise sobre os DONS, embasada pelos textos de Jonas Celestino Ribeiro, nosso irmão Adriano discorreu sobre a descoberta e o uso deles.
Um fato que julguei premente de reconhecimento é a separação que devemos fazer quanto ao mérito e à legitimidade. A saber, ninguém tem mérito próprio - fez ou faz merecer - ao utilizar um dom. Os dons são ferramentas de Deus a todas as pessoas (quer elas saibam disso ou não), independentemente de serem elas cristãs autênticas ou não. Por conseguinte, não podemos supor que alguém é “bom” ou “santo” pelo simples exercício de um dom, ainda que produza efeitos dignos de destaque aos olhos de uma plateia.
Logo, alguém como Edir Macedo ou um líder da igreja Renascer não estará comprovando uma vida santa aos olhos de Deus, necessariamente, apenas por ser instrumento de milagres (caso eles tenham ocorrido, de fato). Ou seja, é possível que pessoas sejam desonestas e, ainda assim, estejam operando maravilhas. Pois os dons não dependem do nosso caráter, são atributos espirituais confiados a todas as pessoas e originariamente destinados para os propósitos de Deus, contudo, sujeitos ao livre arbítrio do homem (o qual poderá, infelizmente, empregá-los também para outros fins). Assim como um homem que recebeu a bênção do vigor físico, por exemplo, pode ser um atleta, também poderá ser um assaltante difícil de ser capturado. Alguém que recebeu a graça da oratória poderá ser um pregador que contribua à igreja de Cristo, ou um “demagogo” que visa locupletar-se com a fé alheia. Observe-se que, nesse caso, sua mensagem ainda será válida (pois o dom é real, oriundo de Deus) e alguns crédulos poderão até mesmo ser tocados de maneira positiva, “por linhas tortas”. Mas a verdade será revelada, pois os frutos do Espírito Santo de Deus são facilmente distintos das obras humanas.
Fato muito comum, lamentavelmente, ocorre nesse sentido, pois as pessoas – modo geral – tendem a confundir capacidade com legitimidade. Portanto, alguém “mau” é capaz sim de fazer algo “bom” (involuntariamente, sendo mero instrumento de um desígnio que vem do Alto). Muitos poderão agir em nome do Pai, mas nem sempre estarão vivendo em conformidade com a vontade dEle.